THORENS EXCELDA Nº 55
Publicado em 16 de novembro de 2024




Absolutamente a última palavra em fonógrafos portáteis. O mais leve, mais fácil de transportar e mais portátil dos portáteis, e ainda reproduz discos padrões de 12” com tom e fidelidade maravilhosa - assim o Thorens Excelda nº 55 foi anunciado em uma propaganda de 1928.
Interessante notar que a busca pela portabilidade dos tocadores de música é muito mais antiga do que se imagina. Muito antes do lançamento do Excelda, diversos fabricantes já vendiam suas pequenas máquinas portáteis pelo mundo.
A própria Thorens já produzia há anos outros modelos portáteis, como o próprio Argentin, que restaurei tempos atrás, lançado em 1914.
Mas a grande novidade do Excelda foi sem dúvida o design do pequeno gabinete de metal. O visual semelhante a uma câmera fotográfica - que inclusive fez com que esses modelos ficassem conhecidos como cameraphones – transformou o Excelda em um ícone dos pequenos portáteis.
Este é na verdade a segunda geração do modelo, a primeira versão ainda era montada nas tradicionais caixas de madeira, sendo bem pouco conhecida e bastante rara. Aqui no Graphonogram é possível encontrar registros da primeira versão. Inclusive, importante mencionar que essa propaganda do Excelda que foi reproduzida aqui foi retirada de lá.
que foi
O Excelda teve vida longa, tendo sido fabricado pela Thorens até meados dos anos 1940. Apesar de serem máquinas relativamente populares, são altamente colecionáveis e vendidas por um bom valor nos dias de hoje.
O maior desafio desse trabalho de restauração foi encontrar peças de reposição. No caso desse Excelda, faltava parte do sistema de controle de velocidade do motor e a corda era uma adaptação nada funcional. Então o projeto acabou ficando parado por alguns anos até eu encontrar uma sucata à venda para retirada de peças.
O motor que veio da sucata estava bastante sujo, mas por sorte todas as peças pareciam em boas condições, de modo que pude aproveitar o motor inteiro. Um ponto crítico do mecanismo do Excelda é a engrenagem responsável pelo movimento do eixo do prato, que é feita de celeron. Esta engrenagem pode apresentar desgastes e encontrar uma semelhante não é tarefa fácil.





Durante a desmontagem do motor acabei tendo uma infeliz surpresa, a mola quebrou ao ser retirada de dentro do tambor. Provavelmente já estava fragilizada e iria quebrar mais cedo ou mais tarde. Como quebrou bem perto da ponta, foi possível aproveitá-la. Foi necessário apenas refazer o furo de encaixe. Um caminho para se fazer isso é destemperar o aço para conseguir furá-lo. Mas por falta de equipamentos mais apropriados, segui uma dica do amigo Sidney, que é usar uma micro retifica com a ferramenta rebolo para desbastar o aço temperado. O processo é lento, mas com paciência consegui acertar a ponta da mola e refazer o furo de encaixe.
Com relação as outras peças do motor não surgiram surpresas, foi necessário apenas uma boa limpeza. Aproveitei também que o motor estava desmontado para aplicar algumas demãos de tinta preta na parte superior. Aqui um detalhe importante, a base da tinta original é nitrocelulose, então para aplicar esmalte sintético é preciso remover toda a tinta original para evitar reações indesejáveis.
Inclusive, o acabamento foi um dilema. Porque o pequeno gabinete apresentava sinais de desgaste, mas seria muito difícil obter o mesmo resultado da pintura original. A tinta tem um aspecto craquelado com um efeito de coloração meio tridimensional. Até existem tintas marteladas que talvez daria um efeito parecido, mas preferi manter a originalidade do acabamento na parte externa e refazer apenas a pintura na parte interna.
Com tudo montado, faltava ainda o parafuso que prende a agulha no reprodutor, que tem o diâmetro bem pequeno e é bastante específico desse modelo. Testei diversos parafusos de outros reprodutores e nenhum coube. Contei com a ajuda o amigo Andreas que conseguiu com muito custo encontrar o parafuso correto no seu acervo de peças. As juntas do reprodutor também foram trocadas, uma vez que as originais já estavam endurecidas.
Nos primeiros testes a corda não estava dando conta de tocar um lado inteiro de um disco. Provavelmente devido ao seu tempo de uso, pois me parece que o pedaço que quebrou era pequeno demais para ser assim tão significativo. Como não estava disposto a iniciar novamente uma jornada atrás de uma nova corda, optei por fazer uma adaptação na máquina.
Boa parte da dificuldade da corda em tocar o disco estava vindo do peso do braço e reprodutor, que exercem uma força considerável em cima do disco. É necessário ter uma certa pressão do reprodutor em cima do disco, isso garante que a agulha não saia do sulco e consiga reproduzir corretamente as oscilações das ondas sonoras gravadas.
Fiz um teste levantando ligeiramente o braço enquanto o disco tocava e notei que era possível aliviar um pouco o peso sem prejudicar a qualidade da reprodução. Então lembrei de uma adaptação (de autoria desconhecida) que vi em outro Excelda, que consistia na instalação de uma mola na parte interna do braço para compensar o peso do reprodutor. Basicamente a mola tende a sustentar o braço para cima, exercendo uma força contrária ao peso do reprodutor em direção ao disco.
Depois de vários testes com molas e encaixes diferentes, obtive melhores resultados. Mas ainda notei certa dificuldade do motor em tocar discos maiores, sobretudo porque o prato é bastante pequeno, então quando o reprodutor está percorrendo a borda do disco cria uma espécie de alavanca que tenciona o eixo do motor para cima.
Outra questão que notei é que como as lâminas do sistema de controle de velocidade são bastante finas o motor é bastante suscetível a flutuação de velocidade, qualquer força a mais exercidade no prato, percebe-se uma variação da rotação. No vídeo a seguir, é possível notar esta oscilação em alguns trechos da música.
Depois de anos "engavetado", acredito que o projeto chegou num resultado satisfatório diante do desafio de encontrar peças em melhores condições. Possivelmente uma mola nova proporcionaria melhor desempenho para a máquina, mas por hora já é possível desfrutar do Excelda em funcionamento.
Para o vídeo de demonstração, escolhi um disco Odeon de 1937, com a clássica marchinha Balancê, interpretada pela incônica Carmen Miranda.


Agradecimentos ao Sidney Daros Jr. do Galpão do Rádio pela generosidade em compartilhar seus conhecimentos e também ao Andreas Triantafyllou.